É travar uma batalha que muitas jamais conhecerão.
Enquanto algumas mulheres descobrem a gravidez com um teste de farmácia, nós descobrimos com uma agulha no braço, em um exame de sangue que pode mudar tudo — ou nos quebrar mais uma vez.
É sentir na pele a dor de cada injeção, dia após dia, transformando o próprio corpo em um laboratório de hormônios.
É trocar o romantismo da concepção pelo frio de um laboratório.
É tomar remédios que incham, cansam, bagunçam os hormônios e fazem você se olhar no espelho e não se reconhecer.
É colecionar exames, ultrassons, punções, agulhas e consultas médicas intermináveis.
É entrar em um consultório carregando não só sonhos, mas também medo, frustração e um amor que ainda não tem rosto.
É deitar em uma maca com um avental azul e depositar naquele instante toda a esperança do mundo.
É ver o embrião na tela do ultrassom, ainda microscópico, e chamá-lo de filho antes mesmo dele ter um coração batendo.
É contar os dias, sentir o corpo e se perguntar a cada segundo: será que deu certo?
É viver perdas invisíveis.
Chorar por embriões que nunca chegaram a crescer.
Lidar com o peso de um negativo quando o coração já estava pronto para dizer “sim”.
É segurar o ar ao ver o resultado do beta.
É ouvir frases como “relaxa que acontece”, “já tentou de tudo?”, “quem sabe não é pra ser?” e sentir cada uma delas como uma facada.
É questionar, em algum momento, sua própria maternidade.
Se eu não consegui engravidar naturalmente, será que eu merecia ser mãe?
Mas ser mãe de FIV também é ser fortaleza.
É encontrar forças quando o corpo cansa.
É cair mil vezes e levantar mil e uma.
É transformar a dor em determinação, a espera em esperança.
E quando aquele positivo finalmente chega…
Quando ouço aquele coraçãozinho batendo pela primeira vez…
Quando seguro meu filho nos braços…
Eu entendo.
Ninguém nunca poderá questionar o tamanho da minha maternidade.
Porque eu não apenas sonhei com esse bebê.
Eu lutei por ele.
E venci.